sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sinto o rio...

Sinto o rio murmurejar. Não é o rio de Faulkner, é o meu. O meu é invisível, até para mim, mas sinto-o correr por baixo, submergindo-me, por vezes, arrastando-me sempre. Sei do oceano brilhante ao fundo da viagem. Outras vezes ele atira-me para o alto, voo para a copa de uma árvore, caio na montanha, num regaço antiquíssimo. Por isso não sou daqui, nem dali, nem de alguém ou ninguém, no ponto em que me viram já não estou, não existo mais aí. Escrevo na respiração entrecortada de um nadador, pensamentos como acção, num teatro final e irredutível.