segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Fala do lenhador

A poesia tem de ser uma benção que nos cai na existência. Experimentem rachar lenha no campo, numa tarde de inverno. Aproxima-se uma névoa que, vinda do mar, tudo envolverá dentro de pouco tempo. A poesia é para mim esse estar-aí, rachando lenha, falando com os cães e o gato, afastado do mundo num silêncio que o próprio mundo busca para si, para conseguir sonhar, reencontrar-se, sarar-se, e abrir-se como uma rosa de sangue húmida pelo orvalho da manhã.