Se Deus nos dá entendimento,
usemos pois nosso talento.
Se o pássaro se detém por muito tempo em terra,
estragam-se as suas asas, e as penas são pesadas.
Os instigadores da guerra
são feios em si mesmos
e horrorosos em suas obras.
Matilde de Magdeburgo
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Pastores da vida inquieta
Vem de lá do extremo oriente, irmão humano, com o vermelho sol a despontar atrás de ti, caminha até onde a terra te deixar. Quando chegares ao fim da terra e ao princípio do mar, e o sol te apresentar nosso passado em movimento, num jogo equívoco de nuvens, eu estarei no farol que interroga a noite, e partilharei contigo o mistério que começa no mar e não acaba nunca dentro de nós, pastores da vida inquieta, a ocidente.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Irracional poético
Acredito em milagres, na aura das pessoas, em seres angelicais, nas palavras dos profetas, em visões, em discos voadores, em fadas, no céu, no paraíso, no inferno e no purgatório, nos deuses e em deus, na boa erva e no vinho, na infinitude da mente, no yin e no yang em tudo presente, na beatitude, no bem e no mal, no pássaro sagrado, no casamento místico, na transmigração das almas, em intermundos e realidades paralelas, acredito em mim como filho do divino e da natureza, mas, sobretudo, acredito no coração espiritual da humanidade partilhado na casa arquetipíca comum em que todos habitamos.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Fala do lenhador
A poesia tem de ser uma benção que nos cai na existência. Experimentem rachar lenha no campo, numa tarde de inverno. Aproxima-se uma névoa que, vinda do mar, tudo envolverá dentro de pouco tempo. A poesia é para mim esse estar-aí, rachando lenha, falando com os cães e o gato, afastado do mundo num silêncio que o próprio mundo busca para si, para conseguir sonhar, reencontrar-se, sarar-se, e abrir-se como uma rosa de sangue húmida pelo orvalho da manhã.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Terra fértil, negra
A poesia tem de enraizar-se na existência. A terra onde ela medra tem de ser fértil, negra, esboroar-se nas mãos como puré de batata cheio de moléculas que gritam por vida organizada, microrganismos estupefactos com o universo, ADNs de seres mitológicos possuídos de irreprimível vontade fecundadora, onde eu, debruçado à janela do fabuloso e anárquico inconsciente, tangendo vou a lira, iluminado pelo deus-dançarino, olhando maravilhado a obra esplendorosa da terra ao meio-dia, assomo de divindade na infinita escuridão do cosmos.
Praia no Inverno
Gosto mais das praias no Inverno. Aquela vastidão de areia deserta, batida pelo vento e a chuva, sob céus cinzentos de cólera, fustigada por ondas violentas e soberbas, faz-me lembrar um cenário de teatro sem ninguém, esperando por ser desmontado e levado como caixinha de sonhos na algibeira do encenador para um lugar recolhido, propício à instrospecção. Sou o único intérprete deste acto poético de sentir a beleza de uma praia abandonada no Inverno
Subscrever:
Mensagens (Atom)