quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Terra fértil, negra
A poesia tem de enraizar-se na existência. A terra onde ela medra tem de ser fértil, negra, esboroar-se nas mãos como puré de batata cheio de moléculas que gritam por vida organizada, microrganismos estupefactos com o universo, ADNs de seres mitológicos possuídos de irreprimível vontade fecundadora, onde eu, debruçado à janela do fabuloso e anárquico inconsciente, tangendo vou a lira, iluminado pelo deus-dançarino, olhando maravilhado a obra esplendorosa da terra ao meio-dia, assomo de divindade na infinita escuridão do cosmos.
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