sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sinto o rio...

Sinto o rio murmurejar. Não é o rio de Faulkner, é o meu. O meu é invisível, até para mim, mas sinto-o correr por baixo, submergindo-me, por vezes, arrastando-me sempre. Sei do oceano brilhante ao fundo da viagem. Outras vezes ele atira-me para o alto, voo para a copa de uma árvore, caio na montanha, num regaço antiquíssimo. Por isso não sou daqui, nem dali, nem de alguém ou ninguém, no ponto em que me viram já não estou, não existo mais aí. Escrevo na respiração entrecortada de um nadador, pensamentos como acção, num teatro final e irredutível.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Quem é Cynthia

Os seus olhos são lagoas azuis, o seu corpo um palácio enevoado, os seios são conventos e eremitérios, os dedos são sonatas de Schubert, seus cabelos árvores verdes com pássaros cantantes. Seu amor é uma porta aberta no limiar de todos os inter-mundos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Mais forte do que eu!

Mais forte do que eu é a montanha amada, a mulher, a criança, o homem, a tempestade, o sol, a lua, as flores, o gato, o cão, o oceano, é enfim o próprio fado que me arrasta, quando já nem sei quem sou, tudo me leva, sou uma folha, sou nada, não há ilusões, nem miragens, nem revoluções, só uma força mais forte do que eu, um rio que corre para o oceano, um movimento perpétuo, e deixo-me ir, flutuo à tona rumo ao cosmos de onde venho. Não sou daqui, desculpem, não sou daqui, a história enganou-se comigo, vêem aquela nuvem? Lá vou eu.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Cabelos de Cynthia!

São dourados os cabelos de Cynthia, como no poema de James Joyce cantado por Syd Barret.