segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Mais forte do que eu!

Mais forte do que eu é a montanha amada, a mulher, a criança, o homem, a tempestade, o sol, a lua, as flores, o gato, o cão, o oceano, é enfim o próprio fado que me arrasta, quando já nem sei quem sou, tudo me leva, sou uma folha, sou nada, não há ilusões, nem miragens, nem revoluções, só uma força mais forte do que eu, um rio que corre para o oceano, um movimento perpétuo, e deixo-me ir, flutuo à tona rumo ao cosmos de onde venho. Não sou daqui, desculpem, não sou daqui, a história enganou-se comigo, vêem aquela nuvem? Lá vou eu.

1 comentário:

Telo Vieira de Meireles disse...

O rio corre. Pode ser o rio de Faulkner, mas cada um tem o seu. O meu sinto-o murmorejante num fluído intergaláctico. Daí sou eu, de entremundos. A realidade não é plana, linear e brilhante à nossa frente. Ela é antes como a montanha lunar, desoculta-se melhor ao luar. Se a vida não for uma fantasia de sonho, de movimento para o divino, de seguir um caminho de luz interior, então será como tanto se ouve dizer: uma Chatice com maiúscula!